domingo, 18 de Fevereiro de 2007

A Primeira Fotografia - A Heliografia de Niépce

Em 1793, Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833), juntamente com o seu irmão Claude, oficial da Marinha Francesa, tenta obter imagens gravadas quimicamente com a câmera obscura, durante uma estadia em Cagliari.

Aos 40 anos, Niépce retira-se do Exército e começa a dedicar-se a inventos técnicos, graças a uma pequena fortuna que a sua família amealhou com a revolução. Naquela época a litografia estava em voga em França, e como Niépce, não tinha muita habilidade para o desenho, tentou obter através da camera obscura, uma imagem permanente sobre o material litográfico de Imprensa.

Niépce trabalhava, juntamente com outros cientistas, num material capaz de fotossensibilizar num curto espaço de tempo e que pudesse registar uma imagem na camera obscura, e imediatamente começou a efectuar experiências com halógenos de prata, brometo, iodeto e nitrato. (Nesta altura já com a indicação do farmacêutico, que falei abaixo no post, acerca da lenda).

Niépce apercebeu-se que conseguia os melhores resultados, com soluções de brometo e iodeto de prata, tanto pela velocidade de captura da imagem (perto de 12 horas), como pela nitidez da mesma, devido à facilidade de combinação entre o brometo e o mercúrio na revelação. A grande questão e dificuldade, era conseguir fixar a imagem obtida. Embora tenha conseguido atingido uma solução satisfatória, ao emulsionar uma placa de estanho e expondo-a com uma camera obscura, a imagem acabava por não se perpetuar na placa.

Em 1826,
e após alguns anos de várias tentativas, Niépce, recobriu uma placa de estanho com betume branco da Judéia, que tinha como uma das suas propriedades, endurecer, quando atingido com luz. Como revelador, utilizou uma espécie de essência/óleo de lavanda, que dissolvia o betume irregularmente nos vários pontos da chapa, conforme a maior ou menor acção da luz nesses pontos, formando-se assim a imagem fotográfica.

Dessa experiência, resulta, a que é considerada hoje, a primeira fotografia da história - "Point de Vue du Gras". A imagem captada da janela do sotão da sua casa de campo, em Saint-Loup-de-Varennes - Le Gras/Chalon-sur-Saône, mostra-nos o terreno da sua granja.

Calcula-se que o tempo de exposição, tenha sido cerca de 8 horas, num dia de verão, numa camera fabricada pela casa de óptica parisiense, de Jacques Louis Vicent e Charles Louis Chevalier.

Apesar desta imagem não conter meios tons e não servir para a litografia, todos os historiadores nesta área a consideram como a primeira fotografia permanente no Mundo. Este processo, atrás descrito, ficou conhecido como Heliografia - gravura com luz solar, tendo o inconveniente da baixa velocidade de captação e pouca qualidade de imagem.

Em 1827, Niépce foi a Kew, perto de Londres, visitar Claude, levando consigo diversas Heliografias, tendo conhecido Francis Bauer, pintor botânico, que prontamente reconheceu a importância do invento. Aconselhado a informar o Rei Jorge IV e a Royal Society sobre o trabalho, Niépce, cauteloso, não descreve o processo completo, levando a Royal Society a não reconhecer tal invento.
De volta para França, deixa com Bauer as suas Heliografias do Cardeal D´Amboise e da primeira fotografia de 1826.

Esta imagem encontra-se hoje no Harry Ransom Humanities Research Center na Universidade do Texas, em Austin, E.U.A.

A Lenda do Início

A História conta-nos uma lenda, que a meu ver, parece bastante interessante. Certo dia, em meados do séc. XIX, um farmacêutico francês, foi chamado para efectuar um curativo, num rapaz com um pequeno ferimento.

Devido à juventude do farmacêutico e aos seus primeiros passos na área, confundiu o vidro de iodo com o de nitrato de prata, que era utilizado em simultâneo com outros medicamentos.
Ao passar o nitrato de prata no ferimento, verificou, algo supreendido, que o líquido imediatamente se enegrecia, ficando totalmente negro. Após se aperceber do seu erro, retratou-se mas ficou intrigado, e novamente experimentou aquela curiosa reacção. Constatado o fenómeno, procurou um químico especializado para lhe contar a maravilha, tendo procurado nem mais, nem menos, do que Joseph Niépce.

sábado, 17 de Fevereiro de 2007

Leonardo Da Vinci e a Câmera Obscura

O grandioso pintor italiano, Leonardo Da Vinci, a quem se deve importantes observações científicas, autor do famoso retrato de "La Gioconda", também conhecido como "Mona Lisa", tem um papel deveras importante na evolução histórica da Fotografia.

Da Vinci, descreveu no séc. XV a "Câmera Obscura" nos seus cadernos de notas, que escritos ao contrário, só podiam ser lidos com o auxílio de um espelho.

"Quando as imagens dos objectos iluminados penetram num compartimento escuro, através de um pequeno orifício e se recebem sobre um papel branco situado a certa distância desse orifício, vêem-se, no papel os objectos invertidos com as suas formas e cores próprias".

É a este compartimento, disposto desta forma, que será conhecido como quarto escuro de desenhar, que nascerá o conceito da "Câmera Obscura".

Existem fortes indícios, que levam os investigadores ingleses, Lynn Picknett e Olive Prince, assim como a italiana Maria Consolatta Corti, a especularem, se não terá sido Da Vinci, capaz de, ter produzido material fotossensível, misturando clara de ovo, com sais de amónio e sumo de limão, juntamente com urina, materiais estes, bastante comuns aos pintores renascentistas.

Com esta emulsão colocada na parte posterior do quarto escuro de desenhar, ter tido uma intervenção directa na execução, do que é hoje, o mais importante objecto religioso, artístico e científico de sempre, o Santo Sudário. Fica a dúvida!

Todavia a "Câmera Obscura" só viria a ser conhecida publicamente em 1545, quando em Nápoles, Giovanni Battista Della Porta (1538-1615), publicou o livro "Magia Naturalis sive de Miracullis Rerum Naturalium", no qual a descrevia, e, por esta razão, foi considerado, o seu inventor.

Nos séculos XVI, XVII e XVIII a "Câmera Obscura" foi utilizada pelos artistas essencialmente como auxiliar no desenho.

A Câmera


"Da próxima vez que segurar numa câmera, não pense nela como um robot, automático e inflexível, mas como um instrumento maleável, que precisa de compreender, para utilizar adequadamente".

Ansel Adams, 1980